Um dia…

Um dia, vou morar numa casinha pequena e aconchegante, numa cidadezinha tão pequena e aconchegante quanto. Vou ter uma toalhinha xadrez na mesinha da varanda (pra ver balançar no vento), uma cortina de renda na janela da cozinha (pra ver os desenhos do sol na parede) e um vasinho de flor na janela (pra atrair abelhas e borboletas).

Farei plantão no hospital, e então irei para minha casa-refúgio dormir. Ele terá feito a janta. Acordarei num sábado de manhã e farei café, que colocarei em uma bandeja e levarei para a cama, cheiro de café espalhando pela casa. Acordarei ele assim. Abrirei todas as portas e janelas, deixarei o vento fresco entrar. Ligarei meu toca-discos, sentarei em frente a uma máquina de escrever, e ali passarei a manhã inteira. Escrevendo as mesmas bobagens sem sentido de sempre, entrando naquele mesmo estado alterado de consciência de sempre, com a costumeira xícara de café ao lado.

Verei o pôr-do-sol sentada na varanda, cantarolando alguma música que me vier à cabeça, e acariciando o topo da cabeça de meu fiel escudeiro, o boxer babão. Ou talvez o dálmata dos meus sonhos de infância.

Dormirei com a janela do quarto aberta, olhando as estrelas. O vento fará balançar a cortina e encherá o quarto de frescor. Adormecerei sorrindo (com ele ao meu lado, obviamente).

~ por elttobaniegassem em janeiro 24, 2010.

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